
O sepultamento da adolescente Brenda Cristina Rodrigues, previsto inicialmente para esta terça-feira (20), foi adiado após novos desdobramentos na investigação que apura as circunstâncias de sua morte. A pedido da Polícia Civil, o corpo da jovem foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de União da Vitória, onde será submetido a exame de necropsia.
A medida foi adotada após familiares comparecerem à delegacia na noite de segunda-feira (19) para registrar um boletim de ocorrência, relatando suspeitas de possível falha no atendimento médico recebido pela adolescente em unidades de saúde do município. Diante do registro, novos procedimentos investigativos foram imediatamente instaurados.
Segundo informações repassadas pela perícia, o resultado inicial da necropsia deverá ser disponibilizado dentro dos prazos legais, e a liberação do corpo ocorrerá assim que os exames forem concluídos, o que pode acontecer, no máximo, até a manhã desta quarta-feira (21).
Embora o Código de Processo Penal (CPP) estabeleça prazo de até 10 dias para a conclusão do laudo necroscópico, o Instituto Médico-Legal esclarece que esse período pode variar conforme a complexidade técnica dos exames complementares. Em casos que demandam análises toxicológicas e histopatológicas, o prazo pode se estender de 30 a 90 dias, dependendo da demanda e da complexidade das investigações laboratoriais.
A necropsia, também conhecida como autópsia, é um exame médico detalhado realizado em cadáveres com o objetivo de determinar a causa e as circunstâncias da morte. O procedimento envolve análise externa do corpo, exploração das cavidades craniana, torácica e abdominal, exame de órgãos e tecidos, coleta de amostras e registro minucioso dos achados. Trata-se de uma etapa fundamental da Medicina Legal, especialmente em investigações criminais e de interesse da saúde pública.
Investigação policial
A Polícia Civil, por meio da 4ª Subdivisão Policial (4ª SDP) de União da Vitória, instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Brenda e investiga a possibilidade de negligência no atendimento médico prestado à adolescente.
De acordo com o delegado-chefe da 4ª SDP, Douglas Possebon e Freitas, os familiares relataram que a jovem buscou atendimento médico diversas vezes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “Ela procurou atendimento em mais de uma ocasião. Em todas, foi medicada e liberada. Continuou passando mal, retornou à UPA em outras oportunidades, foi novamente atendida e liberada”, afirmou o delegado.
Ainda segundo Freitas, no dia 18, com o quadro de saúde já mais grave, a adolescente deu entrada na APMI, hospital onde acabou falecendo. Conforme os registros médicos analisados até o momento, a equipe hospitalar diagnosticou pneumonia bacteriana, realizou a internação imediata da paciente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém a jovem não resistiu.
“A pneumonia bacteriana evoluiu para uma septicemia, uma infecção generalizada, que ocasionou o óbito”, explicou o delegado. A causa da morte, conforme os prontuários médicos analisados preliminarmente, foi pneumonia bacteriana associada à septicemia.
Apesar disso, a investigação segue em andamento. “O objetivo do inquérito é verificar, a partir dos prontuários e das oitivas que faremos com familiares e profissionais da UPA e da APMI, se houve ou não negligência ou mau atendimento médico”, ressaltou Freitas.
A Polícia Civil atua em conjunto com o Ministério Público, que autorizou a realização da necropsia. O exame inclui análises histológicas de tecidos, como pulmão e cérebro, além de exames para verificar possível intoxicação ou se medicamentos administrados anteriormente podem ter agravado o quadro clínico da adolescente. “Vamos apurar se o medicamento ministrado na UPA agravou a situação, se houve falha na detecção da pneumonia ou se a infecção se desenvolveu posteriormente aos atendimentos”, acrescentou o delegado.
Posicionamento do Município
Em nota oficial, a Prefeitura de União da Vitória manifestou solidariedade e profundo pesar à família e aos amigos da adolescente. O Município informou que o atendimento inicial ocorreu na UPA e que a administração da unidade é realizada por empresa terceirizada desde 2022, contratada por meio de edital de chamamento público, sendo responsável pela gestão da unidade e pela contratação dos profissionais médicos.
Diante dos fatos, a Prefeitura informou que instaurou processo administrativo para averiguar os serviços prestados pela empresa responsável pela gestão da UPA, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias relacionadas ao atendimento prestado à paciente. O Município destacou que cabe à administração municipal a condução desse processo no âmbito do contrato de gestão, visando apurar eventuais falhas e adotar as providências cabíveis, conforme a legislação vigente.
A Prefeitura também esclareceu que a apuração técnica do caso clínico e a investigação da conduta médica competem aos órgãos competentes, que possuem autonomia para analisar todos os aspectos envolvidos. Por fim, o Município afirmou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reafirmou seu compromisso com a transparência e a melhoria contínua dos serviços de saúde pública.
