
Lucas Pinheiro Braathen fez história é o primeiro esquiador brasileiro a conquistar uma medalha olímpica. E foi de ouro!
A história foi escrita em Bormio, cidade nos Alpes italianos, próxima à divisa com a Suíça. Neste sábado (14), Lucas Pinheiro Braathen conquistou a primeira medalha do Brasil em uma Olimpíada de Inverno. E logo a dourada. O esquiador venceu a prova do slalom gigante nos Jogos de Milão e Cortina.
O slalom gigante consiste em duas descidas em um percurso com mastros fincados na neve, as chamadas “portas”, separadas por cerca de 25 metros. O esquiador deve passar entre eles. Vence quem obtiver a menor somatória de tempo.
Nascido em Oslo, capital da Noruega, mas de mãe brasileira, Lucas realizou as descidas em 2min25s, ficando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, que levou a prata. O bronze também foi para um atleta da Suíça, Loic Meillard.
Lucas assumiu a liderança na primeira descida, ao concluir o percurso em 1min13s92. Apesar de fazer apenas o 11º melhor tempo na descida seguinte (1min11s08), a marca foi suficiente para o brasileiro se manter à frente dos suíços Odermatt e Meillard.
Como foi o primeiro ouro do Brasil nos jogos de inverno
O Brasil viveu neste sábado, 14, mais um capítulo marcante em sua história olímpica. Lucas Pinheiro Braathen conquistou a medalha de ouro na prova do slalom gigante do esqui alpino dos Jogos Olímpicos Milão-Cortina 2026, com o tempo de 02:25:00 somado nas duas descidas na pista Stelvio, em Bormio, na Itália. Esta é a primeira medalha olímpica da história do país e da América Latina em Jogos Olímpicos de Inverno.
O brasileiro superou os suíços Marco Odermatt (2:25:58) e Loic Meillard (2:26:17), medalhas de prata e bronze, respectivamente. O desempenho de Lucas, claro, supera o 9º lugar conquistado por Isabel Clark no snowboard cross também na Itália, há 20 anos, na edição de Turim 2006, até então o melhor resultado brasileiro nos Jogos. A título de comparação, também foi em Turim que o esqui alpino havia conquistado a melhor posição da modalidade: o 30° lugar no slalom gigante de Nikolai Hentsch.
“Eu tentei colocar palavras no que estou sentindo e isso é simplesmente impossível. O que eu vou dizer é que as emoções que estou sentindo agora são um sol eterno dentro de mim, que está brilhando tão brilhante. Muitas pessoas me deram essa luz que me trouxe o poder para ser o mais rápido do mundo hoje e para ser campeão olímpico”, celebrou Lucas.
O Brasil entra para a seleta lista de países campeões olímpicos do slalom gigante, ao lado da Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha. E, logicamente, o esquiador agora também é dono do melhor desempenho de um latino-americano no esqui alpino. O recorde anterior era o 11º do chileno Thomas Grob no esqui alpino combinado em Nagano 1998.
“Eu sabia que eu tinha esse nível e eu precisava confiar nisso. Eu trabalhei tanto para chegar aqui hoje e eu tentei canalizar toda a energia do povo brasileiro na minha primeira descida. O único objetivo que eu tenho é esquiar do jeito que eu sou e seguir a minha intuição, então isso é o objetivo para segunda descida também”, comentou o brasileiro logo após a primeira parte da prova, em que liderou com o tempo de 1:13:92.
E assim foi. Na segunda descida, ele somou 2:25:00, garantiu a primeira posição e colocou a bandeira brasileira na história do esporte mundial. Vale lembrar que há pouco mais de dois anos, nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Gangwon 2024, o Brasil conquistou uma medalha de bronze histórica com Zion Bethonico, no snowboard cross.
Braathen confirmou a excelente fase vivida no circuito internacional, no qual vem acumulando pódios e resultados consistentes. O esquiador, filho de mãe brasileira e pai norueguês, já conquistou 20 pódios em etapas da Copa do Mundo (6 ouros, 9 pratas e 5 bronzes), sendo 8 desde que decidiu voltar da aposentaria e defender o Brasil (1 ouro, 5 pratas e 2 bronzes). Ele foi o primeiro a colocar o Brasil no topo do pódio em uma etapa de Copa de Mundo em esportes de inverno. Agora coroa essa transição com mais uma marca histórica.
E Lucas pode seguir fazendo história. Na próxima segunda-feira, 16, ele lidera a equipe do Brasil de esqui alpino na prova do slalom em Milão-Cortina ao lado de Christian Oliveira Soevik e Giovanni Ongaro.
Quem é Lucas Pinheiro Braathen
Aos 25 anos, Lucas defendeu a Noruega até 2023, quando anunciou que iria parar de competir. Ele disputou a Olimpíada de Inverno de Pequim, na China, em 2022, como atleta nórdico, mas não completou as provas que participou.
Em 2024, voltou atrás na ideia de aposentadoria e procurou o Brasil. No ano seguinte, passou a representar a terra natal de sua mãe, conquistando pódios históricos em etapas de Copa do Mundo de esqui alpino, culminando no ouro inédito em Bormio, neste sábado.
Antes de Lucas, o melhor resultado do Brasil em Olimpíadas de Inverno era de Isabel Clark. Nos Jogos de Turim, também na Itália, há 20 anos, a carioca ficou em nono no snowboard cross.
Outro a competir na prova deste sábado foi Giovanni Ongaro. Também filho de mãe brasileira, mas nascido em Clusone, na Itália, ele somou 2min34s15 nas descidas, ficando na 31ª posição.
Quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos de Inverno
QUADRO DE MEDALHAS
Fonte: Wikipédia
| # | País | Total | |||
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | NOR Noruega | 12 | 7 | 7 | 26 |
| 2 | ITA Itália | 8 | 4 | 10 | 22 |
| 3 | USA Estados Unidos | 5 | 8 | 4 | 17 |
| 4 | NED Países Baixos | 5 | 5 | 1 | 11 |
| SWE Suécia | 5 | 5 | 1 | 11 | |
| 6 | FRA França | 4 | 7 | 4 | 15 |
| 7 | GER Alemanha | 4 | 6 | 5 | 15 |
| 8 | AUT Áustria | 4 | 6 | 3 | 13 |
| 9 | SUI Suíça | 4 | 2 | 3 | 9 |
| 10 | JPN Japão | 3 | 5 | 9 | 17 |
| … | |||||
| 17 | 1 | 1 | |||
Lucas Pinheiro estava confiante antes dessse dia histórico
“Não é uma pista muito conhecida para os atletas que estão competindo nas categorias técnicas, porque principalmente é uma pista para as categorias Downhill e Super G. Então é uma coisa meio nova para todo mundo competindo nas categorias técnicas”, analisou Lucas antes da primeira descida.]
“É uma pista um pouco mais fácil do que a gente está competindo na Copa do Mundo. Mas é nas pistas um pouco mais fáceis que é ainda mais difícil esquiar rápido. É uma arte dentro do nosso esporte conseguir achar essa velocidade nas pistas que não são tão difíceis como a Copa do Mundo”, contou Lucas, atual segundo do ranking mundial no slalom gigante, com três medalhas de prata em etapas da Copa do Mundo nesta temporada.
“A arte dessa pista é a velocidade que você precisa criar mesmo. Precisa criar a força, velocidade, frequência, sozinho”, disse Lucas.
O Brasil nas Olimpíadas de Inverno Milão-Cortina
Milão-Cortina 2026 é a 25ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, que são realizados entre 06 e 22 de fevereiro, reunindo mais de 2.900 atletas de 92 Comitês Olímpicos em 16 modalidades de neve e gelo. É a terceira vez que a Itália recebe a competição, depois de Cortina d’Ampezzo 1956 e Turim 2006. Esta será a 10ª edição seguida com participação brasileira e a que terá o maior número de atletas do Time Brasil na história: ao todo, 14 atletas, além de um reserva, representarão o país.
Ao longo da história, até Pequim 2022, 40 atletas (27 homens e 13 mulheres) representaram o Brasil na competição, em nove modalidades diferentes. O melhor resultado do país até o momento é o 9º lugar de Isabel Clark, no snowboard cross, justamente em Turim 2006. No gelo, o melhor resultado é o 13º lugar de Nicole Silveira no skeleton em Pequim 2022. O esqui alpino é a única modalidade que o Brasil esteve representado em todos os Jogos Olímpicos de Inverno em que participou.
Com informações do COB
