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Uma investigação da Polícia Civil do Paraná identificou indícios de um esquema de tráfico internacional de mulheres com atuação em União da Vitória. Segundo a apuração, mulheres paraguaias eram atraídas com promessas de trabalho e altos ganhos financeiros, mas, ao chegarem ao município, teriam sido submetidas à exploração sexual, retenção de documentos, aplicação de multas, ameaças e restrições de liberdade. A investigação começou em junho de 2025, após informações sobre uma possível situação de exploração em uma boate que funcionava na cidade.
De acordo com a delegada Niely Luiz Mendes, da Delegacia da Mulher de União da Vitória, a apuração confirmou a atuação de uma organização criminosa que buscava mulheres no Paraguai, principalmente por meio das redes sociais. As vítimas seriam escolhidas considerando situações de vulnerabilidade e atraídas por propostas consideradas economicamente vantajosas. Após a chegada ao Brasil, porém, elas não receberiam os valores prometidos e seriam submetidas a um sistema de multas que variavam entre R$ 500 e R$ 5 mil. A investigação também apontou retenção de documentos, monitoramento por câmeras, presença de cães e utilização de armas de fogo para intimidar as mulheres.
No fim de 2025, cerca de seis mulheres conseguiram fugir do local, mas uma delas permaneceu em União da Vitória e passou a ser ameaçada. Posteriormente, ela teria sido dopada e sequestrada, conseguindo escapar e pedir ajuda. Após os integrantes descobrirem que estavam sendo investigados, a polícia registrou uma escalada de violência, com ameaças, incêndios e atentados. Em fevereiro de 2026, uma operação resultou na prisão de cinco pessoas. Na ocasião, cerca de dez mulheres ainda estavam no estabelecimento e receberam atendimento da assistência social, inclusive com possibilidade de retorno ao Paraguai. A investigação ganhou dimensão federal diante dos indícios de tráfico internacional de pessoas e trabalho análogo à escravidão, e a Polícia Civil não descarta a participação de outras pessoas no esquema.
