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Governo Federal sinaliza apoio para a avicultura do Paraná e Santa Catarina


3 de outubro de 2012

 

 

Divulgação

O governo federal manifestou intenção de apoiar os produtores de aves do Paraná e de Santa Catarina durante reunião na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, na segunda-feira (01/10), em Curitiba. Representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) conheceram as dificuldades por que passa a avicultura dos dois estados. O setor enfrenta uma crise desde o começo do semestre por conta da alta no preço do milho e da soja, principais produtos da ração aviária.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, defendeu que o problema seja tratado como prioridade e que a solução seja dada no máximo em 15 dias, porque os problemas sociais no Sul do País estão se agravando. Os dois estados representam 60% da avicultura nacional.

No Paraná, a avicultura envolve 19 mil produtores, gera 60 mil empregos diretos e representa 11% da riqueza produzida pela agricultura no Estado. Em Santa Catarina, são 17.500 avicultores. “O Estado é o único a exportar frango para o Japão, um mercado difícil de ser conquistado e não pode ser perdido”, disse o secretário-adjunto de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, Airton Spiers.

O secretário nacional da Agricultura Familiar no MDA, Valter Bianchini, que assumiu recentemente o posto, disse que é possível preparar as medidas necessárias em socorro ao setor até a próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). “A principal constatação é que o governo federal precisa intervir imediatamente para socorrer a avicultura do Sul do Brasil, que é estratégica para o País e representa uma vitrine para o mundo”, afirmou o assessor especial do ministério, Nilton Pinho de Bem.

ESFORÇO

Ortigara defendeu esforço integrado para o momento de transição que ele prevê de seis a sete meses, até que se defina o tamanho da próxima safra de milho nos Estados Unidos. “Até lá não vejo solução para o problema porque o custo do milho vai se manter alto”, disse. Atualmente, a saca de milho é vendida a em torno de R$ 30,00 no Paraná e R$ 35,00 em Santa Catarina, no atacado.
Em Santa Catarina, a situação é mais dramática segundo Spiers. Lá, os estoques de grãos se esgotaram e o déficit de milho para ração animal é de 2,7 milhões de toneladas. Algumas pequenas e médias empresas integradoras estão para encerrar suas atividades nos próximos três meses. “Se nada for feito a situação vai se agravar e as empresas estão cada vez mais sem capital de giro para comprar grãos e abastecer os produtores integrados”, disse.

O secretário paranaense defendeu a necessidade de o governo federal bancar a diferença no custo do frete do milho a ser removido do Centro-Oeste do País para o Sul, por mecanismos já existentes como Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) ou Valor de Escoamento de Produto (VEP).

Além da implementação imediata desses instrumentos de apoio à comercialização, gerenciados pelo Governo Federal, sugeriu a abertura urgente de uma linha de crédito para dar fôlego às indústrias. “Uma linha para formação de capital de giro, com juros compatíveis com a situação gravíssima com que passa o setor, ao redor de 5,5% a 6% ao ano, com prazo de pagamento de até cinco anos”, sugeriu.

PREÇO

Spiers pediu o aumento da oferta de milho subsidiado em balcão, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para os pequenos produtores. Ele estima a necessidade de 200 mil toneladas nessa modalidade de venda. Como o governo federal já aprovou a remoção de 58 mil toneladas da região Central do País, onde há disponibilidade de milho, Spiers defendeu que sejam removidas pelo menos mais 142 mil toneladas de milho.

No Paraná, como o modelo de integração é forte e os produtores são abastecidos pelas indústrias, há necessidade de remoção de até 50 mil toneladas de milho, para ampliar a oferta de milho em balcão. As vendas em balcão ofertam o milho a R$ 21,00 a saca, limitado a 27 mil quilos por produtor.

Outra reivindicação apresentada pelo representante de Santa Catarina foi a ampliação do valor do VEP para R$ 5,00 por saca para o transporte de 1,5 milhão de toneladas de milho da Região Centro-Oeste até a Região Sul. “Essa medida iria reduzir o custo do milho para o produtor que pagaria em torno de R$ 29,00 a R$ 30,00 a saca”, disse o secretário catarinense.

Para as agroindústrias, foi solicitado reforço para o capital de giro. Para obter os recursos com urgência, Spiers sugeriu que fosse acelerada a liberação de créditos de Pis/Cofins.

CRISE

A crise na avicultura foi deflagrada pela seca que dizimou cerca de 100 milhões de toneladas desses grãos nos Estados Unidos. Para suprir a escassez os países produtores como Brasil elevaram o volume de exportação do milho e da soja e, consequentemente, os preços no mercado interno também subiram.

A elevação abrupta dos preços dos dois principais produtos que compõem a ração aviária provocou dificuldades financeiras para as indústrias, e muitas estão sem capacidade para honrar compromissos com os avicultores. No Paraná são cerca de 150 mil metros quadrados de aviários parados, porque as indústrias suspenderam as atividades, comprometendo a renda do produtor.

O secretário Norberto Ortigara lembrou que o setor já adotou algumas medidas para amenizar a crise, como a redução nos alojamentos e nos preços do produto final, mas elas não surtiram o efeito desejado.

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