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Casos de sífilis no Planalto Norte aumentaram 1.200% em 10 anos


2 de dezembro de 2024

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Informações divulgadas recentemente pelo boletim Barriga Verde da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) do Estado de Santa Catarina apontam que os casos de sífilis aumentaram consideravelmente na região do Planalto Norte no período de 10 anos.

De acordo com as estatísticas do boletim, entre 2013 e 2023, foram registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), um total de 103.233 casos de sífilis em todo o território de Santa Catarina. Uma parcela de 22,7% desta totalidade foi registrada na macrorregião Norte.

Especificamente no Planalto Norte catarinense, foram 1933 casos ao longo deste período. Chama a atenção, no entanto, o aumento expressivo durante o período, uma vez que apenas 19 casos de sífilis foram identificados durante todo o ano de 2013, enquanto em 2023, foram 255.

Mesmo com variações no total de casos identificados no Planalto Norte ao longo do período, o ano de 2023 foi o terceiro que apresentou o maior número de casos.

Em 2018, houve um pico no número de casos, com 351 registrados durante o ano. O segundo ano com mais casos foi 2017, com 251. Chama a atenção o salto entre 2014 e 2015, quando houve um aumento de 270%, de 31 para 115 casos registrados no Planalto Norte.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO

De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Canoinhas, Josiane Galeski, o aumento no número de casos de 2014 para 2015 pode estar ligado ao fato de que o diagnóstico passou a ficar simplificado durante este período.

Segundo Josiane, somente em 2015 a Vigilância Epidemiológica e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) passaram a realizar o teste rápido para sífilis, o que pode ter contribuído significativamente, segundo ela, para o aumento na taxa de detecção. “Anteriormente, só era solicitado um teste de sangue para sífilis quando a pessoa apresentava algum sintoma como lesões na pele na região genital, no caso da sífilis primárias, ou nas mãos e nos pés, no caso das sífilis secundária e terciária”, comentou.

A coordenadora relatou ainda que a Vigilância Epidemiológica de Canoinhas trabalha constantemente com a prevenção, ofertando também nas UBS, preservativos e femininos, e passando orientações à população ao longo de todo o ano. “Hoje em dia, todo mundo pode se testar, muitas pessoas logo nos dias após alguma relação sexual desprotegida, já nos procuram para fazer o teste rápido”, relatou.

Atualmente, é também protocolar que sejam ofertados testes rápidos de sífilis a gestantes durante o pré-natal, no primeiro, segundo e terceiro semestre. Os parceiros também são testados.

Também é protocolar que uma equipe de enfermagem inicie o tratamento com antibióticos injetáveis se um teste rápido tiver resultado positivo. “Nós fazemos a notificação e iniciamos o tratamento na sequência, de três semanas consecutivas”, comentou a Josiane.

SINTOMAS

Os sintomas variam de acordo com cada estágio da doença. Na fase primária, ocorre o surgimento de ferida nos órgãos genitais, na boca ou outros locais da pele, entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa ferida não causa dor, coceira, ardência ou aparecimento de pus, podendo estar acompanhada de caroços na virilha. A ferida desaparece sozinha, independentemente de tratamento.

Na sífilis secundária, os sinais aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Podem surgir manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Também podem ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e caroços pelo corpo. As manchas desaparecem em algumas semanas, independentemente de tratamento, trazendo a falsa impressão de cura.

A sífilis terciária pode surgir entre um e 40 anos após o início da infecção e costuma apresentar lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas.

De acordo com o Ministério da Saúde, a forma mais eficaz para evitar o contágio é com uso de preservativos.

**JMais

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