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Exportação catarinense de carne suína bate recorde em agosto


20 de setembro de 2023

Foto: Eduardo Valente / Secom

Santa Catarina exportou 62,3 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos) em agosto, alta de 15,8% em relação às exportações do mês anterior e de 0,3% na comparação com as de agosto de 2022. Esse é o maior montante mensal de carne suína exportado por Santa Catarina desde o início da série histórica, em 1997. Os números são divulgados pelo Ministério da Economia e analisados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) no Boletim Agropecuário de setembro.

As receitas, por sua vez, foram de US$ 146,8 milhões, crescimento de 10,0% em relação às do mês anterior, mas recuo de 2,1% em relação às de agosto de 2022. Tal valor representa o terceiro melhor resultado mensal de toda a série histórica. No acumulado de janeiro a agosto, SC exportou 435,9 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$ 1,07 bilhão, altas de 11,0% e 18,7%, respectivamente, em relação às do mesmo período de 2022.

Conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Alexandre Giehl, os resultados positivos desse período devem-se ao crescimento dos embarques para quase todos os principais compradores. Proporcionalmente, o Chile foi o país que teve o maior aumento na compra de carne suína catarinense: 74,2% de aumento em termos de quantidade, na comparação com o mês anterior, e 89,5% de crescimento em receitas. As Filipinas, que é o segundo maior destino da carne suína catarinense, aumentou suas compras em 21,3%, com acréscimo de 32,3% em termos de receita. O Japão, por sua vez, apresentou 40,8% de aumento na quantidade adquirida e 23,2% nas receitas.

De acordo com dados disponíveis no Observatório Agro Catarinense, Santa Catarina respondeu por 56,6% das receitas geradas com a exportação de carne suína pelo Brasil neste ano.

Desempenho da agropecuária catarinense em agosto

O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal da Epagri/Cepa com informações conjunturais de alguns dos principais produtos agropecuários de Santa Catarina. Confira mais detalhes sobre a produção e o mercado dos produtos monitorados:

Bovinos

De acordo como os dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), sistematizados pela Epagri/Cepa e divulgados no Observatório Agro Catarinense, de janeiro a agosto deste ano foram abatidos 395,5 mil bovinos em Santa Catarina – queda de 4,2% em relação à produção do mesmo período de 2022.

Nas primeiras semanas de setembro, os preços do boi gordo em Santa Catarina apresentaram queda de 7,7% em relação à média do mês anterior, seguindo a tendência observada nos principais estados produtores. Na comparação com o valor de setembro de 2022, observou-se queda de 23,2% no preço médio catarinense.

Esses movimentos de queda devem-se, principalmente, à oferta elevada, em âmbito nacional, de animais prontos para abate. Além disso, as carnes concorrentes (de frango e suína) também têm apresentado variações negativas de preços nos últimos meses, o que acirra a disputa pela preferência do consumidor e acentua a pressão de queda sobre a carne bovina.

Frangos

Santa Catarina exportou 98,2 mil toneladas de carne de frango (in natura e industrializada) em agosto – alta de 8,7% em relação às exportações do mês anterior e de 8,9% na comparação com as de agosto de 2022. As receitas foram de US$ 207,3 milhões – alta de 5,7% em relação às do mês anterior e de 3,9% na comparação com as de agosto de 2022.

No acumulado de janeiro a agosto, Santa Catarina exportou 733,4 mil toneladas, com receitas de US$ 1,58 bilhão – altas de 7,1% em quantidade e de 8,7% em valor, na comparação com as do mesmo período do ano passado. Os resultados do período refletem o crescimento dos embarques para a maioria dos principais destinos, com destaque para a China, que registrou alta de 45,9% em quantidade e 43,3% em receitas na comparação com o mesmo período de 2022, e Arábia Saudita, com altas de 21,4% e 26,7%. O estado foi responsável por 23,5% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de carne de frango nos oito primeiros meses do ano.

De acordo com os dados Cidasc, em agosto deste ano o Estado atingiu a marca de 582,8 milhões de frangos destinados ao abate em 2023, alta de 4,5% em relação à produção do mesmo período de 2022.

Leite

No primeiro semestre de 2023 as indústrias adquiriram 11,666 bilhões de litros de leite cru, um aumento de 1,9% em relação aos 11,454 bilhões de litros adquiridos no primeiro semestre de 2022. Nos estados, como tem sido praxe, o desempenho seguiu bastante heterogêneo. O crescimento de Santa Catarina foi de 8% e as indústrias catarinenses adquiriram quase 13% do total nacional.

De janeiro a agosto de 2023, as importações brasileiras de lácteos alcançaram 1,427 bilhão de litros de leite equivalente. Calcula-se que esta quantidade tenha representado 8,2% da oferta total de leite inspecionado no período (17,311 bilhões de litros). Esse percentual é bem superior ao dos anos recentes, com exceção de 2016, quando as importações representaram 7,5% dessa oferta.

Os preços dos lácteos decrescem por vários meses no mercado atacadista. Isto se refletiu em quedas consecutivas também nos preços recebidos pelos produtores, cujo pico foi registrado em maio (R$2,82/litro). Ainda assim, o preço médio de janeiro a setembro de 2023 (R$2,54/litro) está levemente acima do preço médio de janeiro a setembro de 2022 (R$2,51/litro).

Arroz

Com demanda aquecida e oferta menor, os preços ao produtor de arroz continuam com a tendência de aumento apresentada em julho. O comportamento observado dos preços segue o esperado e outros fatores tendem a manter o mercado aquecido, como as exportações e a relação estoque/consumo baixa (em razão da quebra da safra gaúcha e, consequentemente, a menor produção brasileira).

A safra de 2023/24 teve início e aponta expectativa de área estável e redução na quantidade produzida. Isto porque a produtividade deverá ser menor, haja vista que a produtividade obtida na safra anterior foi excepcional, enquanto que a safra atual deve retornar a um patamar de normalidade. Outro fator que contribui para a redução da produtividade é o fenômeno El Niño, que tende a proporcionar dias chuvosos e ausência de sol, que pode reduzir a produtividade.

Feijão

No mês de agosto, o preço médio mensal recebido pelos produtores catarinenses de feijão-carioca fechou em R$ 154,79/saca de 60 kg, uma redução de 4,07% em relação ao mês anterior. Já para o feijão-preto, o preço médio sofreu um acréscimo de 3,14%, fechando a média mensal em R$ 214,74/sc de 60 kg. Na comparação com agosto do ano passado, para o feijão-preto, registrou-se um incremento de 18,71% na variação anual.

Para a safra de verão 2023/24, a intenção de plantio dos produtores catarinenses, em comparação com a safra passada, revela um acréscimo de 6% na área plantada (feijão 1ª safra). A produtividade média deverá crescer apenas 0,2:, com isso espera-se um crescimento de 5,8% na produção.

Milho

A estimativa inicial da safra 2023/24 apresenta informações de área, produção e rendimento da cultura do milho nesta primeira safra. Os primeiros números mostram uma redução de área de 4,1%. A retração dos preços ao produtor, desde o início do ano, é de mais de 30%. O custo de produção e a relação de preços soja/milho e a dificuldade de controle da cigarrinha e de doenças associadas são os principais motivos da redução na área de cultivo da safra que se inicia.

Até a primeira semana de setembro, 16% do total da área estimada para cultivo no Estado foi semeada. Apesar da redução da área plantada, a produção total esperada está em 2,7 milhões de toneladas, cerca de 1,2% superior à da safra anterior, em função da expectativa de aumento do rendimento.  Os preços ao produtor se mantêm estabilizados nos últimos três meses em um patamar baixo. As exportações do cereal pelo Brasil em agosto podem alcançar volumes próximos a 10 milhões de toneladas, o que traz uma expectativa de elevação dos preços no mercado interno no segundo semestre.

Soja

A estimativa inicial para a safra de soja 2023/24 mostra novamente um crescimento, agora de 1,7% na área a ser plantada referente à safra anterior. A produção total prevista é de 2,8 milhões de toneladas na primeira safra.  As incertezas sobre a produção dos Estados Unidos, a valorização do dólar frente ao real e ausência de parte dos agricultores do mercado nacional, além das exportações recordes no ano e a demanda por parte das indústrias de biodiesel em julho e agosto, impulsionam os preços no mercado interno.

Trigo

Os preços médios recebidos pelos produtores de trigo catarinense tiveram nova queda em agosto, com variação negativa de 2,07% em relação ao mês anterior. Na comparação anual, os preços recebidos em agosto deste ano estão cerca de 35,27% abaixo dos registrados no mesmo mês de 2022. Em todo o Estado, até a última semana de agosto, aproximadamente 53% da área destinada ao plantio de trigo nesta safra encontrava-se em fase de desenvolvimento vegetativo; 40% da área havia alcançado para a fase de florescimento e apenas 3% da área estava na fase de maturação.

Com relação às condições de lavoura, 95% delas foram avaliadas como boas e 5%, em condição média. Na comparação com a safra passada, as estimativas da Epagri/Cepa apontam para uma redução de 5% na área plantada. A produtividade deve permanecer praticamente a mesma, com um pequeno incremento de 1%. Com isso, a previsão é de uma safra um pouco menor, com redução de 4% no volume de produção.

Maçã

No atacado catarinense, entre julho e agosto de 2023, foi mantida a valorização nos preços da maçã com melhor qualidade das frutas comercializadas no período. Nas centrais de abastecimento nacionais, o preço da maçã catarinense, entre julho e agosto de 2023, se valorizou em 7,7% na Ceagesp e 9,9% na Ceasaminas. Somente em agosto, as cotações da fruta catarinense tiveram uma valorização de 15% em comparação ao ano anterior. Nos oito primeiros meses de 2023, o volume negociado de maçã brasileira nas centrais de abastecimento representou 233,86 mil toneladas, sendo 45,7% do total de origem catarinense.

A quantidade exportada nacional até agosto de 2023 foi de 35,67 mil toneladas, sendo 80,1% do Rio Grande do Sul  e 19,3% de Santa Catarina. Mas, em comparação com 2020, houve redução de 43% no volume exportado e diminuição de 64% em relação a 202,1 que apresentou o maior volume negociado dos últimos cinco anos. Já o volume importado foi de 77,3 mil toneladas, sendo 53,4% do Chile, 19,8% da Argentina e 19,8% da Itália. O saldo comercial de maçãs in natura nos últimos cinco anos foi negativo em 23,5 mil toneladas e US$32,4 milhões, sendo que em 2023 já está negativo em 26,6 mil toneladas e US$35,1 milhões.

Nos pomares, as maçãs precoces estão 90% em floração e 10% em frutificação, sendo que no final de agosto, após os trabalhos que quebra de dormência, a florada estava acima da média. No início de setembro, em plena florada e frutificação das frutas precoces, os produtores estão podando os ramos para facilitar o trabalho posterior de raleio, já que a expectativa é de safra cheia para essas frutas.

Alho

A safra catarinense de alho se desenvolve normalmente. A condição das lavouras é considerada boa e os plantios realizados em maio e junho se encontram no início da diferenciação. A produção esperada se mantém em 10.767 toneladas. Em agosto, a quantidade importada foi de 2,75 mil toneladas, com desembolso de US$ 3,21 milhões, com preço médio (FOB) de US$ 1,17/kg, aumento de 19,39% em relação ao do mês de julho.

Cebola

As expectativas para a safra 2023/24 de cebola se mantém com o plantio de 19.013 ha, e estimativa de produção de mais de 568 mil toneladas e produtividade média de 30.039 kg/ha.

De janeiro a agosto deste ano as importações foram de 110.745 toneladas, volume 14,05% menor que no mesmo período do ano passado. A implantação da safra 2023/24 foi concluída e o desenvolvimento ocorre normalmente com condição das lavouras consideradas boas a muito boas.

Leia a íntegra do Boletim Agropecuário aqui.

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