
A guerra entre Rússia e Ucrânia completa cinco anos nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, consolidando-se como o conflito armado entre Estados mais longo na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O confronto segue sem perspectiva de resolução rápida e mantém impactos profundos sobre civis, militares e a infraestrutura do país.
Impacto humano e destruição
Levantamentos da Organização das Nações Unidas e da Human Rights Watch indicam que o custo humano acumulado — entre mortos, feridos, desaparecidos e deslocados — já chega a cerca de 10 milhões de pessoas.
Cidades inteiras foram destruídas, sistemas de energia e transporte sofreram ataques repetidos, e milhões de ucranianos permanecem deslocados dentro do próprio país ou refugiados em nações europeias.
Guerra de atrito e território ocupado
Atualmente, a Rússia mantém o controle de aproximadamente 20% do território ucraniano, o equivalente a cerca de 120 mil quilômetros quadrados. A linha de frente permanece praticamente estável, caracterizando uma guerra de atrito, sem avanços significativos de nenhum dos lados e com alto custo humano e material.
Impasse nas negociações de paz
As negociações continuam travadas por exigências consideradas inconciliáveis.
Para Kiev, qualquer acordo precisa garantir:
- Soberania plena e integridade territorial
- Mecanismos internacionais de segurança
- Garantias de que novas invasões não ocorrerão
- Possibilidade de alianças com a OTAN
Autoridades ucranianas demonstram ceticismo em relação a compromissos diplomáticos anteriores e defendem garantias mais rígidas antes de aceitar um cessar-fogo.
Já Moscou afirma que a chamada “operação militar especial” só será encerrada se suas preocupações estratégicas forem atendidas, incluindo:
- Neutralidade da Ucrânia
- Não expansão da OTAN para o território ucraniano
- Condições políticas alinhadas ao que o Kremlin chama de nova ordem de segurança regional
Propostas como a realização de eleições sob supervisão externa foram criticadas por Kiev como tentativa de interferência política.
Consequências globais e nova ordem internacional
Especialistas avaliam que o conflito já alterou o cenário geopolítico mundial. A guerra é vista como um marco na ruptura de uma ordem internacional baseada no multilateralismo e no respeito às fronteiras.
Na Europa, cresce a preocupação com a segurança regional e a estabilidade a longo prazo. Ao mesmo tempo, a Rússia afirma que as sanções econômicas impostas pelo Ocidente estimularam o fortalecimento de setores industriais, agrícolas e militares.
Conflito de identidade e soberania
No centro da disputa está também uma divergência sobre identidade e soberania. Enquanto o governo russo sustenta laços históricos e culturais entre os dois povos, autoridades ucranianas reforçam a necessidade de independência plena e rejeitam qualquer forma de influência ou subordinação.
Um conflito sem horizonte próximo
Cinco anos após o início da invasão em larga escala, o cenário permanece de impasse militar e diplomático. Sem avanços nas negociações e com a linha de frente estabilizada, a guerra segue como um conflito prolongado, com consequências humanitárias, econômicas e políticas que continuam a se expandir — não apenas para os dois países, mas para toda a Europa e o sistema internacional.



