Representantes de escolas municipais, estaduais e particulares de Porto União estiveram reunidos na tarde de segunda-feira, 10, na Secretaria de Saúde para discutir o início da vacinação contra o vírus HPV.
A campanha é nacional, organizada pelo Ministério da Saúde, e prioriza a vacinação para meninas com idade entre 11 e 13 anos. Este vírus é a principal causa do câncer do colo de útero.
No Brasil a meta de vacinação é de 80% do público-alvo, formado por 5,2 milhões de meninas. Em Porto União pouco mais de 800 jovens receberão a imunização. A vacina passa a integrar o calendário nacional. Serão três doses de aplicação. A segunda será aplicada com intervalo de seis meses e a terceira, de reforço, cinco anos após a primeira dose.
“Vamos programar com a nossa equipe e durante o mês estaremos levando a vacina nas escolas, porém desde já todos os postos de saúde tem a disposição a imunização para quem quiser se adiantar”, explica o coordenador de epidemiologia da Secretaria, Simão Ilczsyczen.
Os dados sobre o vírus HPV, seus riscos e a importância da vacina foram explanadas pelo médico do sistema de saúde, Carlos Ferreira. “Como há uma limitação de recursos por parte do Ministério da Saúde a campanha está direcionada neste primeiro momento para esta faixa etária, justamente por ser uma idade onde provavelmente não houve a contaminação”, explica o médico.
Há também quem busque as clínicas particulares para receber a imunização. O valor das três doses pode ultrapassar mil reais. “A orientação é de que, quem já iniciou as aplicações na rede particular, continue com as doses na mesma forma”, diz Ferreira.
Por ser um vírus transmitido por meio de relações sexuais há muitas restrições por parte dos pais. “Essa vacinação requer uma mobilização diferente porque existe uma certa restrição em função da falta de informação, mas estamos a disposição para sanar todas as dúvidas. Esperamos que os pais se conscientizem e vejam a importância dessa vacina para a nossa população”, afirmou o secretário de Saúde Jair Giraldi. “O câncer de colo de útero é somente um dos problemas que o vírus pode ocasionar”, confirma.
A Secretaria de Saúde de Porto União dispõe de médicos, técnicos e equipamentos específicos para o atendimento da saúde da mulher. “Em Porto União, temos hoje uma média de 200 exames preventivos por mês, 114 cauterizações por ano e exame de colposcopia de 83 por ano. Antes, quando dava alguma alteração no preventivo, a paciente tinha que ser encaminhada para Florianópolis. Hoje fazemos todos os exames aqui mesmo”, explica Ferreira. Devido a todo o atendimento à mulher, a incidência do câncer de colo uterino caiu bastante, sendo que hoje estamos na média ideal preconizada pelo Ministério da Saúde: abaixo de 2 pacientes com diagnóstico.
VACINA* – As instituições de ensino devem informar, com antecedência, aos pais ou responsáveis a data de vacinação. Tanto no ambiente escolar como nos postos de saúde, a vacina será aplicada por profissionais de saúde.
Os pais ou responsáveis que não quiserem que a adolescente seja vacinada deverão preencher e enviar à escola o termo de recusa distribuído pela instituição de ensino antes da vacinação. No caso das unidades de saúde, é importante que a adolescente apresente a caderneta de vacinação. Para assegurar a aplicação das três doses, o serviço de saúde vai registrar cada adolescente imunizada, monitorar a cobertura vacinal e realizar, se necessário, a busca ativa das meninas.
Em 2015, a vacina passa a ser oferecida para as adolescentes de 9 a 11 anos e, em 2016, às meninas que completam nove anos. Com isso, o Brasil, em apenas dois anos, protegerá a faixa etária (meninas de 9 a 13 anos) que melhor se beneficia da proteção da vacina.
PROTEÇÃO* – O Ministério da Saúde adquiriu 15 milhões de doses para o primeiro ano de vacinação. A vacina utilizada é a quadrivalente, que confere proteção contra quatro subtipos (6, 11, 16 e 18) do HPV, dos quais dois (subtipos 16 e 18) são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo mundo. Usada como estratégia de saúde pública em 51 países, a quadrivalente é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem eficácia de 98% contra o vírus HPV.
A vacinação é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a prevenção do HPV e do câncer do colo do útero. Ela não substitui a realização do exame preventivo e nem o uso do preservativo nas relações sexuais. O Ministério da Saúde orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo, o Papanicolau, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos.
O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relações sexuais. Por tratar-se de um vírus que se transmite com muita facilidade, considera-se que o HPV seja a infecção sexualmente transmitida mais comum no mundo, com quase todas as pessoas sexualmente ativas tendo contato com o vírus em algum momento da sua vida.
Na grande maioria, o HPV cura-se espontaneamente, mas em algumas mulheres eles produzem lesões que podem desencadear o câncer de colo do útero. O HPV também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Estima-se que 270 mil mulheres, no mundo, morrem devido ao câncer de colo do útero. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 15 mil novos casos e cerca de 4,8 mil óbitos nesse ano.
*Informações do Ministério da Saúde.




