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Greve dos caminhoneiros: o que se sabe até agora sobre a ameaça de paralisação



Categoria mantém indicativo de paralisação e aguarda medidas do governo Lula sobre frete e diesel. A decisão deve sair de assembleia nacional marcada para o final da tarde de hoje por entidades que representam a categoria. Apesar disso, sindicatos de alguns estados já confirmaram a adesão a paralisação. 

As principais reinvindicações são o aumento no preço do óleo diesel, que segundo os representantes da categoria teve um aumento, em alguns estados, próximo a 18% desde fevereiro – e que deve continuar a ser impactado pela guerra entre Estados Unidos e Irã. 

Além disso, caminhoneiros reclamam do desrespeito ao preço mínimo do frete, ou seja, o valor que as empresas devem pagar pelo transporte das mercadorias para cobrir os custos. O piso do frete foi uma das conquistas da greve de caminhoneiros de 2018, durante o Governo Michel Temer. 

O Governo Lula tem tentando desmobilizar o movimento e impedir a paralisação com anúncio de medidas para resolver as reclamações da categoria. Entre elas, a redução do PIS e Cofins no preço do diesel e o aumento da fiscalização, inclusive por meio eletrônico, do cumprimento do piso do frete para caminhoneiros.

QUAIS OS MOTIVOS DA GREVE DOS CAMINHONEIROS? 

O aumento do preço do óleo diesel, que aumenta os custos dos caminhoneiros e reduz a margem de lucro destes trabalhadores, é o que tem puxado a mobilização para paralisar as atividades em todo o País. 

Além do anúncio recente da Petrobras de aumento de R$ 0,38 por litro, este combustível teve aumentos recentes. Caminhoneiros também criticam o reajuste constante nos postos de combustível, muitas vezes poucas horas depois do anúncio de aumento pela Petrobras.

Além disso, o desrespeito de empresas ao piso do frete para o transporte de cargas também é criticado pela categoria, que afirma que os trabalhadores têm absorvido os custos do aumento no diesel e, portanto, sem nenhum ganho.   

As entidades que representam os caminhoneiros pedem ainda a implementação de outras medidas, como o pedágio zero para veículos vazios. 

QUEM IRÁ PARALISAR? 

Diversas entidades e sindicatos representam os caminhoneiros em todo o País. Dentre elas, há quem tenha confirmado a paralisação a partir desta quinta-feira, por exemplo o Sinditac, de Santa Catarina, e a Associação Nacional dos Transportadores de Carga (ANTC), com sede em Itajaí (SC).

Também houve indicativo de paralisação em assembleia realizada na segunda-feira (16), com lideranças de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Brasília. Contudo, após acenos do governo, houve o adiamento da decisão. 

O Sindicato dos Transportes Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam) e a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) convocaram assembleia para esta quinta-feira, após não terem chegado a consenso em encontro nesta quarta-feira (18). 

A nova reunião acontece, inclusive, após o recuo de entidades que tinha anteriormente mostrado apoio a greve de caminhoneiros e depois voltou atrás, como é o caso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTLL). 

A orientação é de que, até a decisão das entidades, os caminhoneiros fiquem em casa ou parados em postos, mas com a recomendação de não fecharem rodovias para evitar a cobrança de multas. 

O QUE O GOVERNO LULA TEM FEITO PARA IMPEDIR A GREVE

Com a perspectiva de aumento no preço dos combustíveis devido a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã, com impactos como o fechamento do Estreito de Ormuz, o que bloqueia 20% do petróleo mundial, o presidente Lula havia anunciado medidas para minimizar os efeitos no Brasil. 

No dia 12 de março, ele anunciou a redução de impostos sobre o preço do combustível. Na prática, seria uma redução de R$ 0,32 do PIS e Cofins, e R$ 0,32 da subvenção. Assim, a medida traz um impacto de R$ 0,64 por litro.

Contudo, no dia seguinte ao anuncio do presidente, a Petrobras anunciou o aumento de R$ 0,38 por litro de diesel. 

Agora, com a mobilização pela greve dos caminhoneiros, novas medidas foram divulgadas pelo Governo Lula. 

Nesta quarta, o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o presidente da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, elencaram medidas para garantir o cumprimento do piso do frete. 

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