
Lideranças de caminhoneiros decidiram suspender os planos de greve nacional que vinham sendo articulados para esta semana. A decisão foi tomada após o governo federal anunciar medidas para reforçar a fiscalização do cumprimento do piso mínimo do frete no país.
A medida provisória, publicada nesta quinta-feira (19), endurece o controle sobre empresas que descumprem a tabela de fretes. A iniciativa foi apresentada pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, como forma de atender uma das principais reivindicações da categoria.
Em assembleia realizada em Santos (SP), representantes dos caminhoneiros optaram por suspender o estado de greve e orientar a categoria a continuar trabalhando normalmente pelos próximos dias, enquanto aguardam a regulamentação das novas regras.
Apesar do recuo, os caminhoneiros seguem em estado de alerta. Uma reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, está marcada para a próxima segunda-feira (23), quando novas demandas devem ser discutidas.
Entre as reivindicações da categoria estão melhorias em seguros, gerenciamento de risco nas estradas e maior equilíbrio nas regras de transporte, para evitar concorrência desleal.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que cerca de 20% das empresas descumprem o piso mínimo do frete. Nos últimos meses, foram aplicadas multas que somam aproximadamente R$ 419 milhões.
A nova medida também prevê punições mais rigorosas, como a suspensão de contratos e até da licença de empresas reincidentes em irregularidades.
A mobilização dos caminhoneiros vinha sendo impulsionada, principalmente, pela alta do diesel e pela dificuldade de cobrir os custos operacionais, o que reacendeu o temor de uma paralisação semelhante à registrada em 2018, que causou desabastecimento em todo o país.



